
“A literatura não é como tantos supõem, um passatempo. É uma nutrição.” Cecília Meirelles
Nesta semana, falava sobre como, em alguns anos, gostaríamos de poder ter uma biografia nossa, com cada detalhe que passou, para que – lendo-a – pudéssemos sentir ainda forte o que sentíamos e, lembrarmos como éramos, ou não, felizes.
Por alguns anos, consegui manter atualizado um diário. E, hoje, quando o leio, o coração bate mais forte e, à vezes, sente vontade de parar de vez. Tantas coisas. Se não as tivesse anotado, estaria tudo perdido em algum canto da memória.
Ah.. memória! Quando penso que ela é boa, lembro-me que nestas horas ela se torna a pior vilã que poderia existir. Escolhendo, segundo a sua justiça, os momentos mais importantes para serem guardados, acaba nos afastando de tantos outros, que – por mais que nos exercitemos para lembrar – apenas encontramos frágeis resquícios no fundo de nossas almas.
Passado...
Presente...
Gosto de me definir como Cecília Meirelles “novos e antigos todos os dias”, sempre e nunca a mesma. Me faz bem refletir sobre essa “metamorfose ambulante”. Aprecio ler meus registros, porque me sinto mais próxima de mim mesma. Mais eu mesma, de alguma forma. Frágil e forte. Madura e taão infantil. Grande, mas tão pequena. Esperta, mas tão ingênua.
O passado mexe tanto comigo. Como se minha vida fosse um furacão, capturando com seus fortes ventos, cada vez mais formas, emoções, sentidos. E é bom viver isso. Nas minhas anotações, sempre escrevia.. “Registro para lembrar-me de mim mesma. Como eu era. O que eu era. O que queria ser. E por quê.” Anotava, também, na esperança de que isso realmente acontecesse, o desejo de daqui a uns bons anos, pudesse sentar-me, ler-me, e sentir tanta saudade a ponto de muitas lágrimas brotarem dos meus olhos, num sinal de harmonia comigo mesma, de sensação de tarefa cumprida, de realização pessoal.
Nossa história é algo tão frágil. A vida vai passando, passando... E a gente vai vivendo-a sem ter, muitas vezes, noção do que estamos fazendo. Foram tantas as experiências vividas, que mesmo o diário é insuficiente para relembrá-las. Sempre gostei de pensar que um dia, em algum lugar, encontraria um meio de reviver o meu viver. Recuperar sentimentos. Visualizar novamente momentos importantes. Esta é a minha idéia de Céu. Um lugar para reencontrar a mim mesma, minhas memórias, sabendo que o que tinha que ser feito, foi feito. Tarefa cumprida.
Justamente por meu sistema de armazenamento de memórias ser tão instável, gosto de saber que tenho bons amigos à minha volta para serem testemunhas vivas da minha própria existência. Diários permanentes dos meus passos. Os quais um dia dirão... “Lembra?” E eu direi: “Como poderia esquecer?”
Um muito obrigado aos meus fiéis amigos do peito, a quem devo muitas emoções. Sem vocês, eu estaria bem longe de mim. A cada dia, recebo como uma dádiva, mais páginas em branco para que vocês me ajudem a escrever, e como ajudam bem!

2 comentários:
Oii guriaaa!
To comentando aqui simplesmente para te dizer q gostei muito do q tu escreveu.
Não poderia passar aqui sem deixar registrada a minha admiração por ti. Infelizmente não convivo muito contigo mas tenho certeza ao afirmar que és uma pessoa maravilhosa.
O que tu escreveu aqui serviu de incentivo para continuar batalhando pelo que almejo.
Enfim, gostei muitoo.
Continua sempre atualizando aqui, existe fãs que esperam!
hehehehe
Ateh maisss
Miga!
Simplesmente perfeito!!!
Se minha memória me permitir quero lembrar deste texto por muuuuuuuuuuuito tmepo ainda!
Das coisas que vivo, que sinto, às vezes seria bom - muito bom - esquecer as "besteiras" ou ainda mais as "grandissíssimas besteiras" que fazemos na vida, mas essas são as primeiras que vem à tona quando a memória resolve lembrar de alguma coisa!
Bju grande no teu coração e assino em baixo de tudo o que a Carol escreveu!!!!
Fica com Deus, mana!
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