quarta-feira, outubro 11, 2006

Transitividade



Conveniente ou extravagante
Bonito ou horripilante
Culto ou incompleto
Musical ou barulhento
Natural ou artificial
Aceitável ou inacreditável

Muitos contrastes. Quem definiu os padrões?
Quando foi que pude desacreditar em certo e errado?
...Depende do ponto de vista.
Até que me provem o contrário, sempre.

segunda-feira, outubro 09, 2006

Boniteza Mortal


Por motivos de alguma relevância, passei a problematizar a morte nos últimos dias. Eis que obtive algumas conclusões!
Aprendi com Rubem Alves que tudo que é belo precisa terminar. Já refletiu sobre isto? Pense: Que amante suportaria um beijo que não terminasse nunca? Profundo...
Aprendi que toda morte é completa em sua finitude. A vida é mortal. A morte não é um acidente. A morte não nega a vida. A morte nos ajuda a viver o presente e nos lembra que temos que ser coerentes com nossos sonhos. Difícil é entender e aceitar isto numa sociedade que cultua a negação da morte, tornando-a apenas sinônimo de tragédia, dor, maldição e sofrimento.
O que nos ameaça e torna a vida incompleta é a violência que nos assombra. É o mal que acontece em circunstâncias avassaladoras. Como aceitar estas agressões à vida? Justo, com certeza, não é morrer por causa da maldade impregnada em certos corações e/ou pela falta de responsabilidade das pessoas que não têm amor nem à sua própria existência.
A violência destrói a vida porque não nos permite relacionar. Ela corta de forma drástica nossas relações com os outros. E o Universo é isso, o conjunto de relações entre os sujeitos (é pertinente lembrar que tudo está relacionado. Para exemplificar brevemente: Ser humano, Terra, Sistema Solar, Via Láctea, etc, etc!) Quando somos privados disto - de nos relacionar - somos violentados, e morremos, pois, de fato, já não existimos.
Foi neste momento que compreendi mais profundamente a dor daqueles que perderam pessoas estimadas por “desastres do destino”, bem entre aspas mesmo. Refleti sobre aqueles que compõem movimentos como o “Vida Urgente”, que na intimidade com a dor provocada pela perda de pessoas queridas, se unem pela construção de mentes mais conscientes e apaixonadas pelo milagre da vida.
A morte é bela e, por isso, chamei a este texto de “Boniteza mortal”. A morte completa a vida, porque nos ensina a viver. Tocante, não acha? Quando temos noção da nossa fragilidade vital, passamos a respeitar a vida como um todo, de fato. E isso é um espetáculo!
Aceitando a morte, nos libertamos para a vida e nos tornamos capazes de vivê-la em sua plenitude, como o bem mais precioso que não pode ser comparado com nada mais neste mundo. Viva a tua vida sabendo que... “Tudo que se completa deseja morrer” e, novamente, “tudo que é belo precisa terminar”. É na aceitação da morte que a vida torna-se uma realidade e não uma mera opção ou algo que um dia vai acontecer. A vida é agora, a morte não se sabe a hora. Por isso, viva! No sentido mais amplo que puder encontrar para ela.