quinta-feira, novembro 23, 2006

Temporal




O que era, foi e não é mais.
Não é mais, mas foi.
É o que era.

Mais não,
Foi.
E era.

Foi o que não é mais.
Era o que foi.
Era o que era.

Se foi e era
É o que
Não mais é.

O que não é mais.
Era.
E se foi.

Era.
Foi.

Mas...

quarta-feira, novembro 22, 2006

Quebra-cabeças


Posso dizer que segunda(20/11) foi um dia, no mínimo, cômico! Madruguei para ir para a faculdade, e devido às duas horas praticamente de viagem, cheguei em Gramado quase às 13h30min. Bom, no caminho de casa percebi alguma coisas diferentes, lojas sem brilho, sem luz, mas nem dei muita bola. Quando cheguei em casa, eis minha surpresa! A cidade toda sem um traço de luz.... Não sabia pelo que eu me desesperava primeiro: Se pelo almoço, agora frio, que não teria como esquentar, porque se colocasse batata-frita e ovo frito na panela iria virar um guisado nada apetitoso! Ou se pelos meus dois lindos trabalhos da faculdade para entregar esta semana, que estão bem atrasados ainda por sinal... Afinal nos programamos e sem nenhuma pista perdemos a noção das coisas.

Eu havia virado uma barata tonta, andava de um lado para o outro na casa, mas não encontrava saída... e continuava com fome! Até que decidi dar uma volta no centro e acabei almoçando cachorro-quente mesmo! Bom, voltei e nada da luz...Comecei a ler histórias infantis para uns dos trabalhos... Ia no banheiro, ligava a luz e brigava com o interruptor até lembrar que simplesmente NÃO tinha luz. Liguei o computador várias vezes, sem nem mesmo me dar conta, naqueles impulsos provocados pelo hábito. Tentei ligar o rádio e nada (por um momento até pensei na hipótese que ele funcionaria... mas como?! Ele precisava de luz também...)

Bom, a tarde foi passando e fui ao médico levar minha vacina pra rinite como em toda segunda-feira. O médico também se atrasou e aquele consultório, que já não era assim muito colorido, perdeu toda a vida. Minha outra médica só reclamava e só rezava para não ter que ir correndo pra Canela, afinal ela estava de plantão, porém o carro (graças à garagem automática) não tinha como ser libertado! É, foi um dia e tanto.... Teria aula de inglês, mas sem chance, o breu agora havia tomado conta da cidade, mesmo o dia estando claro lá fora!

Ah eletricidade.... No que foi que você nos transformou? Chegou uma hora que sentei na minha cama e só me limitei a rir, porque eu parecia uma completa estranha dentro de casa, parecia que tudo havia perdido o sentido. E sabe de uma coisa? Foi perdendo o sentindo que o recuperei! Pode parecer brincadeira, mas a vida fez muito mais sentido sem luz, porque assim virei sujeito dela novamente, não um objeto que precisa de energia elétrica para funcionar. Lembrei que eu tinha pilhas novinhas para serem usadas e que aí poderia estar a revelação do grande mistério da falta de tempo, do mau-humor, das crises, dos medos, etc. Sem luz me permiti fazer coisas que não fazia, como comer cachorro-quente de almoço, deitar no sofá depois do almoço e brincar com meu pai e meu irmão(um jogo que por sinal inventamos por causa da falta de luz, e há muito não me divertia assim com os dois). Com tanta gente ligando pra RGE e reclamando, e eu, por mais que tenha sido prejudicada(mas não tanto quanto as sorveterias, as fábricas de chocolate e tantos outros estabelecimentos), prefiro agradecer a oportunidade de enxergar minha vida dependendo única e exclusivamente da minha própria criatividade.

sexta-feira, novembro 17, 2006

"Vida louca vida"

Dias atrás eu falava sobre a morte, me colocando numa posição segura perante a ela, aceitando-a e até mesmo admirando-a. Isso não exatamente mudou, nem se perdeu. Acontece que às vezes a vida nos encurrala pra nos mostrar sua dimensão e sua importância.

Ontem estava eu bem tranqüila numa sala de convivência da minha universidade, como faço todas as quintas-feiras – e aí está a quebra de tudo – quando eu e meus colegas fomos noticiados de um assalto no banco ao lado da nossa salinha. Houve barulho de vidro despedaçado, gente correndo, gritando. Vi o desespero frente à frente quando uma mulher que estava no banco na hora do assalto entrou na nossa sala quase que implorando por ajuda, por consolo, por acolhida.

Nessa hora que ela explicou o que estava acontecendo, e que fui trancada lá dentro por bastante tempo, por precaução, eu pensei em tanta,mas tanta coisa! Me senti ameaçada e fui presa num ambiente,quando quem deveria estar preso não estava. Eram dois ladrões. Armados. E que naquele momento circulavam livres por aí.

Bom, mas este não é o meu ponto. O que me interessa é a fragilidade da vida. A questão de em um momento eu ter tudo e em outro eu ter tudo para perder. Pensei na minha família, nos meus amigos, meu namorado. Sim, todos eles e eu sem ter exatamente o que fazer. Não sabia se ria ou se chorava. Se me desesperava como muitos ou se mantinha a tranqüilidade disfarçando meus sentimentos de agonia internos. Parece que estou fazendo uma tempestade em copo d’água. Mas só quem passa por momentos de incerteza, de medo profundo, é que sabe o que estou tentando transmitir.

Havia escrito no meu texto “Boniteza Mortal” que tudo que se completa deseja morrer. E completude era tudo o que eu NÃO sentia naquele momento. Graças a Deus, tudo foi mais questão de precaução e susto, do que perigo realmente.

Desde ontem, resolvi “reprojetar” certos alvos que vinha tentando acertar, enquanto esquecia de outros muito mais relevantes e importantes na minha vida. Acho que de tão difícil que é reprojetar certas coisas, meu computador está querendo que eu corrija a palavra. Dá pra acreditar?

Há muito tempo uso a frase “Curta a vida, porque a vida é curta”, porém hoje ela faz mais sentindo do que nunca! Frases a este respeito são inúmeras... “Não deixes pra amanhã o que tu podes fazer hoje”... E tantas outras! Mas está claro que precisamos sentir na pele essas afirmações para nos darmos conta de sua profundidade.

O que eu desejo a ti é que existam na tua vida situações, suficientemente inesperadas, a ponto de que tenhas tempo de refazer projetos, de reavaliar metas, de valorizar mais a vida – forte e frágil – que temos. Não te esqueças: Viva!


"Vida louca vida, vida breve. Já que eu não posso te levar, quero que você me leve" Cazuza

sexta-feira, outubro 27, 2006

Ilusão de ótica


Você já pensou, ou calculou, todas as aprendizagens que teve durante o período da sua vida? Quantas milhões de coisas você aprendeu desde que foi gerado no ventre de sua mãe? Desde como reconhecer a voz dela, a do seu pai, a sobreviver, a girar naquele espaço minúsculo do útero e até dar chutes que faziam a mamãe transpirar? Pois é... Muitas e muitas coisas que fomos aprendemos ao longo dos anos.

Ninguém nos ensinou a abrir os olhos, a sorrir, a chorar, a soluçar, a mamar, a mastigar, a tossir, a bocejar, a piscar, etc, etc. Tudo isto é conhecimento cognitivo, já nascemos sabendo. Basta uma necessidade e pronto, o velho “instinto” aparece e “resolve” a situação.

Hoje quero falar sobre as coisas que não descobrimos por nós mesmos, das coisas que nos ensinaram, das coisas que não questionamos, das coisas que “engolimos” por todo este tempo. Afinal, as coisas nem sempre são o que parecem ser, por isso precisamos contestar a realidade, o que temos por real, verdadeiro.

Uma vez ouvi dizer que devíamos desaprender o mundo. Isto mesmo. Desaprender. Desaprender o que nos foi taxado como certo e errado, como bonito e feio, como bom ou ruim. Tirar nossas próprias perspectivas sobre tudo. Para isto, precisamos esquecer o que sabemos, para vermos o que não víamos.

Pode ser uma questão de memória. Memorizamos tanta informação. Tudo já está numa condição tão normalizada que nem nos damos conta de nos questionarmos a respeito. Quando a gente desaprende nossas memórias, nos tornamos livres para viver o que jamais havíamos imaginado.

O esquecimento é o primeiro passo. O primeiro passo para a descoberta do novo. Para o êxtase do aparecimento do inesperado, do inimaginável!

Aprendi que a questão não é somar saberes, mas subtraí-los, assim vejo coisas que jamais vi. Mas não pense você que é fácil. É preciso uma aprendizagem de desaprender. Estou longe de ser uma expert, inicio agora minha caminhada. Está feito o convite para que se junte a mim. Aí onde você está comece a desaprender, a questionar (lembre-se que não é qualquer questionamento, tente achar os fundamentos do que cerca a ti e a tua vida). É isto que realmente importa, assim que se inicia a sabedoria [dela eu escrevo outra hora]. Boa sorte!

quarta-feira, outubro 25, 2006

Vôo livre


Estive pensando por onde andava minha tão estimada companheira Inspiração. Mesmo sem ela, sempre temos algo a dizer. Acontece freqüentemente que inspiração não me falta, o que falta é o cimento, falta consolidar tudo que meu armazém de idéias vai estocando. Com tanta idéia acumulada, seus valores na moeda da criatividade vão caindo, desvalorizando. O controle da bolsa de valores é feito por mim mesma, pela minha autocrítica rigorosíssima, pelo medo de eleger uma inspiração e desprivilegiar outras. Culpa do meu potencial de estar sempre pensando mil coisas no mesmo espaço de tempo, tudo lá para adiante, para um dia, para o sábado a noite que se aproxima, para o próximo aniversário, para o próximo dia dos namorados, para o próximo natal e para a esperada praia com os amigos no Ano Novo. Isso quando não estou pensando no ontem, na carta que não escrevi, no beijo que não dei ou que dei, no eu te amo que recebi, no trabalho que sofri para terminar, no filme que não assisti até o fim, na amiga que reencontrei, no amigo que senti falta, na frase que li e achei bonita. São tantas coisas a se pensar. Tenho lembranças do amanhã, lembranças que me movem a consolidar meus devaneios.

Se a escrita não fosse tão rigorosa, talvez escrevesse mais. Falar é fácil, o som se propaga e logo some. Com o passar do tempo, restam apenas alguns fragmentos do que dissemos ou do que nos disseram. A palavra escrita não. Esta não perdoa. “Tem de escrever à caneta, pois à lápis está sujeito à correção”, frase clássica dos professores. “Resposta final à lápis não será considerada.” Por certo que estas frases irão sumir com o tempo, graças à Era Computacional. Tudo bem. Mas não seria nada mal possuirmos algum tipo de lápis encantado para tudo em nossa vida, para podermos corrigir mal-entendidos, erros, fiascos e, por quê não, micos! Mas eu estava falando mesmo era da rigidez da escrita, nem errinhos básicos ela deixa passar desapercebidos. É um ponto que faltar e pronto, você a ofendeu! Mas mantenha a calma porque o Word corrige... A escrita é de tamanha duração e tem um poder de tanta intensidade que podemos achar escritos de séculos e séculos atrás. Não é bom encontrar depois de algum tempo uma carta, uma declaração de amor, um bilhetinho de escola, ou até uma cola? Estas coisas são tão preciosas... às vezes ao encontrá-las sentimos vergonha, em outras saudade, amor, arrependimento, felicidade, tanta coisa! Tudo por causa de uns traços que se juntam e formam um código que chega a ter relevância existencial.

A inspiração está de partida há algum tempo, e o que restou para este texto foram os sacos de idéias que começaram a cair de tão acumulados no meu armazém particular de maluquices. Dando bye-bye para a companheira, vou finalizando... Ela [a inspiração] é mesmo assim indomável. Quem diz que não a encontra é porque tem medo de cair, pois ela nos leva às mais altas atitudes! Consiga um pára-quedas se preferir, e boa viagem!

segunda-feira, outubro 16, 2006

Rêves, dreams, sonhos...


Não sei de onde eles vêm, para onde vão e nem onde estão seguros. São tantos. Sonhar é preciso, está certo. Gostaria de ser do tamanho dos meus sonhos. Amaria poder realizá-los todos. Bom seria poder sonhar sem ter que me dar conta de que muitos sonhos são inalcançáveis. Tristeza é o que sinto por saber que mesmo que sonhe, certas coisas nunca aterrissarão na pista da realidade. Quem foi que disse que os sonhos à realidade um dia chegam?! Para tudo tem um tempo certo. Em que parte do caminho perdi a minha ampulheta medidora do tempo da vida? Ah se eu pudesse ter uma dessas! Já li “Nunca desista dos seus sonhos”, bom livro. Mas em certas horas parece que “give up”(desistir) deles é questão de sobrevivência, para diminuir a ardência do coração. Sim, meu coração arde. Por quê? Porque sei que não está certo desacreditar em mim mesma e nas coisas que podem me fazer feliz. Viva sempre a realidade. Como? O amanhã é tão presente! Mas, em contrapartida, não chega nunca... Ah...sonhos! Sim, precisamos deles! Preciso adquirir novas lentes para os olhos da minha mente, só assim - olhando de outro modo – conseguirei viver o desafio da vida que inclui tantas frustrações e medos. São sempre nossos olhos “de dentro” que nos levam à altitude do existir.

– “Lentes, por favor, na cor rosa shock e em formato de estrelas.”

quarta-feira, outubro 11, 2006

Transitividade



Conveniente ou extravagante
Bonito ou horripilante
Culto ou incompleto
Musical ou barulhento
Natural ou artificial
Aceitável ou inacreditável

Muitos contrastes. Quem definiu os padrões?
Quando foi que pude desacreditar em certo e errado?
...Depende do ponto de vista.
Até que me provem o contrário, sempre.

segunda-feira, outubro 09, 2006

Boniteza Mortal


Por motivos de alguma relevância, passei a problematizar a morte nos últimos dias. Eis que obtive algumas conclusões!
Aprendi com Rubem Alves que tudo que é belo precisa terminar. Já refletiu sobre isto? Pense: Que amante suportaria um beijo que não terminasse nunca? Profundo...
Aprendi que toda morte é completa em sua finitude. A vida é mortal. A morte não é um acidente. A morte não nega a vida. A morte nos ajuda a viver o presente e nos lembra que temos que ser coerentes com nossos sonhos. Difícil é entender e aceitar isto numa sociedade que cultua a negação da morte, tornando-a apenas sinônimo de tragédia, dor, maldição e sofrimento.
O que nos ameaça e torna a vida incompleta é a violência que nos assombra. É o mal que acontece em circunstâncias avassaladoras. Como aceitar estas agressões à vida? Justo, com certeza, não é morrer por causa da maldade impregnada em certos corações e/ou pela falta de responsabilidade das pessoas que não têm amor nem à sua própria existência.
A violência destrói a vida porque não nos permite relacionar. Ela corta de forma drástica nossas relações com os outros. E o Universo é isso, o conjunto de relações entre os sujeitos (é pertinente lembrar que tudo está relacionado. Para exemplificar brevemente: Ser humano, Terra, Sistema Solar, Via Láctea, etc, etc!) Quando somos privados disto - de nos relacionar - somos violentados, e morremos, pois, de fato, já não existimos.
Foi neste momento que compreendi mais profundamente a dor daqueles que perderam pessoas estimadas por “desastres do destino”, bem entre aspas mesmo. Refleti sobre aqueles que compõem movimentos como o “Vida Urgente”, que na intimidade com a dor provocada pela perda de pessoas queridas, se unem pela construção de mentes mais conscientes e apaixonadas pelo milagre da vida.
A morte é bela e, por isso, chamei a este texto de “Boniteza mortal”. A morte completa a vida, porque nos ensina a viver. Tocante, não acha? Quando temos noção da nossa fragilidade vital, passamos a respeitar a vida como um todo, de fato. E isso é um espetáculo!
Aceitando a morte, nos libertamos para a vida e nos tornamos capazes de vivê-la em sua plenitude, como o bem mais precioso que não pode ser comparado com nada mais neste mundo. Viva a tua vida sabendo que... “Tudo que se completa deseja morrer” e, novamente, “tudo que é belo precisa terminar”. É na aceitação da morte que a vida torna-se uma realidade e não uma mera opção ou algo que um dia vai acontecer. A vida é agora, a morte não se sabe a hora. Por isso, viva! No sentido mais amplo que puder encontrar para ela.

sexta-feira, outubro 06, 2006

Rima da vida

Choro que alegra
Olhar que acalenta
Perfume que encanta

Toque que acalma
Brilho que ilumina
Riso que emociona

Maciez que envolve
Suspiro que comove

Existência que tranqüiliza
Beleza que eterniza

Criatura que engrandece
Aquece
E amolece meu coração
Que com tanta meiguice
Se enternece.

- Poeminha dedicado ao Arthur,meu afilhadinho do coração, que nasceu dia 4.10.06 -

terça-feira, outubro 03, 2006

O sentir mais bonito



Amar, amor, amado
Radical com todo o significado.
Viver é em vão sem paixão, é ela a direção.
Desarma quando chega,
Aniquila quando parte.
Indecisa palavra que arde,
Fazendo parte de quem se deixa envenenar.
Doente, vira ódio e assim deformado,
Torna-se o próprio pecado.
Tão gratuito quanto as nuvens do céu,
É o sentimento...
Solução e causa, resposta e dúvida.
Prisão do infinito... o sentir mais bonito...
Viver valeu a pena, quando de amar virei poema.

Liane Abreu - Julho/06