
Eu sinto saudade...
Saudade de tanta gente, de tanta coisa, de tanto tempo que passou, de tantas feridas que faziam viver enquanto cicatrizavam, de tantos sorrisos que me deram, de tantos amigos que mudaram, de tantas pessoas que me deixaram, de tantos olhares que perdi, de inúmeras vezes que caí e me construí assim como sou.
Dizem que devemos ver o lado positivo dos fatos. Sim! Eu sempre procuro fazer isto... Agora, porém, quero falar da dor... Entenda bem que não sou infeliz pela saudade que sinto. Apenas quero desabafar que a sinto. Simples assim.
Acredito que uma lição a vida nunca vai conseguir me ensinar. Nunca aprendi a me acostumar a me distanciar das coisas que amo. Nunca sentirei uma saudade sem dor. Nunca saberei lembrar do que me traz saudade sem que lágrimas brotem de meus olhos, os quais, lubrificando-se, tentam encontrar resquícios de imagens daquilo que se foi.
Escrevo não por bel-prazer, mas por necessidade. Cada palavra que nasce sabe a dor ou a alegria que carrega. Às vezes, tenho a nítida impressão que só as palavras que surgem sós, mas que significam juntas, poderiam entender o que dói a minha saudade.
Lendo Mitch Albom, autor de “As cinco pessoas que você encontra no céu”, confirmei a certeza que sempre tive que me dizia que sim, tudo tem uma razão de ser. Que vivemos numa ampla teia de ligações e que temos o poder de mudar o destino dos outros com pequenos gestos.
Sei que cada pessoa que passou pela minha vida, traçou parte da minha história, construiu atalhos para caminhos, muitas vezes desconhecidos, e fez diferença no meu viver. Desde uma infância compartilhada, até um semestre de faculdade. Não interessa o tempo. Passando no nosso caminho, será o suficiente para mudar nosso destino (não destino supersticioso, mas o lugar onde chegaremos um dia).
Sendo assim, me parece justa minha saudade dolorida. Ela não se deixa entender. Não entendemos a razão de nos separarmos de quem gostamos, ou de não significarmos o que significávamos, ou de termos valorizado mais do que nos valorizaram.
Minha saudade foi guardada, para ser chamada em outro momento de incompreensão minha, na tentativa de me mostrar – mais uma vez – que “para tudo há um tempo debaixo do céu”. Tempo de encontrar e de se afastar. Tempo de sorrir e tempo de chorar. Tempo de abraçar e tempo de relembrar. Tempo este que nunca chegará nem perto do meu sutil entendimento.