Dias atrás eu falava sobre a morte, me colocando numa posição segura perante a ela, aceitando-a e até mesmo admirando-a. Isso não exatamente mudou, nem se perdeu. Acontece que às vezes a vida nos encurrala pra nos mostrar sua dimensão e sua importância. Ontem estava eu bem tranqüila numa sala de convivência da minha universidade, como faço todas as quintas-feiras – e aí está a quebra de tudo – quando eu e meus colegas fomos noticiados de um assalto no banco ao lado da nossa salinha. Houve barulho de vidro despedaçado, gente correndo, gritando. Vi o desespero frente à frente quando uma mulher que estava no banco na hora do assalto entrou na nossa sala quase que implorando por ajuda, por consolo, por acolhida.
Nessa hora que ela explicou o que estava acontecendo, e que fui trancada lá dentro por bastante tempo, por precaução, eu pensei em tanta,mas tanta coisa! Me senti ameaçada e fui presa num ambiente,quando quem deveria estar preso não estava. Eram dois ladrões. Armados. E que naquele momento circulavam livres por aí.
Bom, mas este não é o meu ponto. O que me interessa é a fragilidade da vida. A questão de em um momento eu ter tudo e em outro eu ter tudo para perder. Pensei na minha família, nos meus amigos, meu namorado. Sim, todos eles e eu sem ter exatamente o que fazer. Não sabia se ria ou se chorava. Se me desesperava como muitos ou se mantinha a tranqüilidade disfarçando meus sentimentos de agonia internos. Parece que estou fazendo uma tempestade em copo d’água. Mas só quem passa por momentos de incerteza, de medo profundo, é que sabe o que estou tentando transmitir.
Havia escrito no meu texto “Boniteza Mortal” que tudo que se completa deseja morrer. E completude era tudo o que eu NÃO sentia naquele momento. Graças a Deus, tudo foi mais questão de precaução e susto, do que perigo realmente.
Desde ontem, resolvi “reprojetar” certos alvos que vinha tentando acertar, enquanto esquecia de outros muito mais relevantes e importantes na minha vida. Acho que de tão difícil que é reprojetar certas coisas, meu computador está querendo que eu corrija a palavra. Dá pra acreditar?
Há muito tempo uso a frase “Curta a vida, porque a vida é curta”, porém hoje ela faz mais sentindo do que nunca! Frases a este respeito são inúmeras... “Não deixes pra amanhã o que tu podes fazer hoje”... E tantas outras! Mas está claro que precisamos sentir na pele essas afirmações para nos darmos conta de sua profundidade.
O que eu desejo a ti é que existam na tua vida situações, suficientemente inesperadas, a ponto de que tenhas tempo de refazer projetos, de reavaliar metas, de valorizar mais a vida – forte e frágil – que temos. Não te esqueças: Viva!
"Vida louca vida, vida breve. Já que eu não posso te levar, quero que você me leve" Cazuza
2 comentários:
Lih, acho que sobre isso posso falar com bastante certeza!
Já passei por uma situação assim (bem semelhante) e posso imaginar em tudo o que pensaste naquele momento, e em tudo o que estás refletindo agora, e te asseguro que daqui ha algum tempo não lembrarás mais disso com esse aperto que sentes agora em teu coração, terás medo ainda de algumas coisas, pessoas e situações, porém o pânico desse momento irá passar (graças à Deus!). Concordo plenamente quando disses: "Viva a vida pois a vida é curta." porém é muito importante que esse "viver", seja, de fato "viver", fazer hoje o que se pode, afim de que não fique para amanha, mas, fazer hoje sem se arrempeder disso amanhã!
Quando passamos por situações de risco eminente (e de certo modo precisamos disso para acordar!), sentimos que não somos nada, absolutamente nada, depois nos sentimos fragilizados, depois queremos fazer tudo o que ainda não haviamos feito, amar todas as pessoas, e depois de algum tempo isso tudo vai embora e nos tornamos aquelas velhas pessoas de sempre!
Miga, um bju grande no teu coração, e precisando de qualquer coisa lembra sempre que estou aqui!
Fica com Deus!
Oi, amada. Essas situações nos fazer repensar várias coisas de nossa vida, vários conceitos, vários sentimentos.... mas são muito importantes pois muitas vezes nos fazem tomar um outro rumo em nossas vidas, fazer valer a pena! Perceber o quanto cada minuto é importante, principalmente quando ele pode ser o último. Bjão
Postar um comentário