
Estive pensando por onde andava minha tão estimada companheira Inspiração. Mesmo sem ela, sempre temos algo a dizer. Acontece freqüentemente que inspiração não me falta, o que falta é o cimento, falta consolidar tudo que meu armazém de idéias vai estocando. Com tanta idéia acumulada, seus valores na moeda da criatividade vão caindo, desvalorizando. O controle da bolsa de valores é feito por mim mesma, pela minha autocrítica rigorosíssima, pelo medo de eleger uma inspiração e desprivilegiar outras. Culpa do meu potencial de estar sempre pensando mil coisas no mesmo espaço de tempo, tudo lá para adiante, para um dia, para o sábado a noite que se aproxima, para o próximo aniversário, para o próximo dia dos namorados, para o próximo natal e para a esperada praia com os amigos no Ano Novo. Isso quando não estou pensando no ontem, na carta que não escrevi, no beijo que não dei ou que dei, no eu te amo que recebi, no trabalho que sofri para terminar, no filme que não assisti até o fim, na amiga que reencontrei, no amigo que senti falta, na frase que li e achei bonita. São tantas coisas a se pensar. Tenho lembranças do amanhã, lembranças que me movem a consolidar meus devaneios.
Se a escrita não fosse tão rigorosa, talvez escrevesse mais. Falar é fácil, o som se propaga e logo some. Com o passar do tempo, restam apenas alguns fragmentos do que dissemos ou do que nos disseram. A palavra escrita não. Esta não perdoa. “Tem de escrever à caneta, pois à lápis está sujeito à correção”, frase clássica dos professores. “Resposta final à lápis não será considerada.” Por certo que estas frases irão sumir com o tempo, graças à Era Computacional. Tudo bem. Mas não seria nada mal possuirmos algum tipo de lápis encantado para tudo em nossa vida, para podermos corrigir mal-entendidos, erros, fiascos e, por quê não, micos! Mas eu estava falando mesmo era da rigidez da escrita, nem errinhos básicos ela deixa passar desapercebidos. É um ponto que faltar e pronto, você a ofendeu! Mas mantenha a calma porque o Word corrige... A escrita é de tamanha duração e tem um poder de tanta intensidade que podemos achar escritos de séculos e séculos atrás. Não é bom encontrar depois de algum tempo uma carta, uma declaração de amor, um bilhetinho de escola, ou até uma cola? Estas coisas são tão preciosas... às vezes ao encontrá-las sentimos vergonha, em outras saudade, amor, arrependimento, felicidade, tanta coisa! Tudo por causa de uns traços que se juntam e formam um código que chega a ter relevância existencial.
A inspiração está de partida há algum tempo, e o que restou para este texto foram os sacos de idéias que começaram a cair de tão acumulados no meu armazém particular de maluquices. Dando bye-bye para a companheira, vou finalizando... Ela [a inspiração] é mesmo assim indomável. Quem diz que não a encontra é porque tem medo de cair, pois ela nos leva às mais altas atitudes! Consiga um pára-quedas se preferir, e boa viagem!
3 comentários:
Olha se a inspiração foi embora não sei, o texto ficou mto bom!!!
Se analisarmos a quantidade imensa de coisas q pensamos durante um dia veremos q nossa menória é (ou, dveria ser!)gigantesca!
Coincidência ou não, pensava sobre isso ontem... qts GB tem minha memória? E olha q eu esqueço uma penca de coisas (chave, culos, celular...), é sério, qts coisas lembramos, pensamos, fazemos, sonhamos durante 24h!!!!
Penso q a inspiração depende mto do ponto de vista, algo para mim pode ser totalmente inspirador, para outra pessoa não!
E em meio à tantas inspirações, aspirações e pirações, vamos levando nossa vida, sonhando, sorrindo, chorando... vivendo, enfim!
Um bjãozão pra ti, mana!
Fica com Deus!
Oi Lih!!! Um título apropriado e um texto ótimo! "Vôo livre" retoma o tema da "estaticidade inspiracional" (se é que isso existe)! Mas escrevi isso de propósito para que percebas que não estamos presos à regras. Não. Por mais que teus professores de Letras de todas as formas tentem te dizer isso, atrevo-me a dizer o contrário! A escrita não é rígida. Não deve ser, ao menos! Não te condenes por um ponto, uma vírgula, um espaço... O "vôo" só será plenamente "livre" quando te lançares de fato na imensidão sem atrito do céu literário. Não tudo tem lógica. Não tudo se explica. Mais do que juntar palavras de forma ordenada, escrever é trasmitir pensamentos, sentimentos! Se me permites, finalizo com um "Veritas": "Escreve... deixa-te levar pelos termos da oração. E reza-a. Para termos o que buscamos!" Um beijão Lih! Valeu!
Eu amo vcs dois, Sandra e Paulinho! hehe.. os comentários que fazem ficam sempre melhores do que o próprio texto... por isso que estou amando a idéia de ter um blog, pois estou sempre agregando sentidos aos meus sentidos. Obrigada por estarem sempre por aqui alegrando minha vida!
Bjao!
Postar um comentário