sexta-feira, outubro 27, 2006

Ilusão de ótica


Você já pensou, ou calculou, todas as aprendizagens que teve durante o período da sua vida? Quantas milhões de coisas você aprendeu desde que foi gerado no ventre de sua mãe? Desde como reconhecer a voz dela, a do seu pai, a sobreviver, a girar naquele espaço minúsculo do útero e até dar chutes que faziam a mamãe transpirar? Pois é... Muitas e muitas coisas que fomos aprendemos ao longo dos anos.

Ninguém nos ensinou a abrir os olhos, a sorrir, a chorar, a soluçar, a mamar, a mastigar, a tossir, a bocejar, a piscar, etc, etc. Tudo isto é conhecimento cognitivo, já nascemos sabendo. Basta uma necessidade e pronto, o velho “instinto” aparece e “resolve” a situação.

Hoje quero falar sobre as coisas que não descobrimos por nós mesmos, das coisas que nos ensinaram, das coisas que não questionamos, das coisas que “engolimos” por todo este tempo. Afinal, as coisas nem sempre são o que parecem ser, por isso precisamos contestar a realidade, o que temos por real, verdadeiro.

Uma vez ouvi dizer que devíamos desaprender o mundo. Isto mesmo. Desaprender. Desaprender o que nos foi taxado como certo e errado, como bonito e feio, como bom ou ruim. Tirar nossas próprias perspectivas sobre tudo. Para isto, precisamos esquecer o que sabemos, para vermos o que não víamos.

Pode ser uma questão de memória. Memorizamos tanta informação. Tudo já está numa condição tão normalizada que nem nos damos conta de nos questionarmos a respeito. Quando a gente desaprende nossas memórias, nos tornamos livres para viver o que jamais havíamos imaginado.

O esquecimento é o primeiro passo. O primeiro passo para a descoberta do novo. Para o êxtase do aparecimento do inesperado, do inimaginável!

Aprendi que a questão não é somar saberes, mas subtraí-los, assim vejo coisas que jamais vi. Mas não pense você que é fácil. É preciso uma aprendizagem de desaprender. Estou longe de ser uma expert, inicio agora minha caminhada. Está feito o convite para que se junte a mim. Aí onde você está comece a desaprender, a questionar (lembre-se que não é qualquer questionamento, tente achar os fundamentos do que cerca a ti e a tua vida). É isto que realmente importa, assim que se inicia a sabedoria [dela eu escrevo outra hora]. Boa sorte!

4 comentários:

Anônimo disse...

É verdade.. muitas vezes "enchemos" nossa memória com coisas vãs, inúteis mesmo, mas nem nos damos conta disso...é preciso "formatá-la" , "deletar" coisas que não precisamos mais, ou que nos fazem mal, arrumar algum espaço no disco pra acrescentar conhecimentos, que nos sejam úteis de verdade, porque de coisas velhas já estamos fartos!
Penso que todos temos uma capacidade muito grande pra ensinar e pra aprender, e temos muito a ensinar e a aprender! Mas, talvez o que realmente mais precisamos aprender seja, justamente, a ensinar!
É preciso fazer o novo, e ser o novo!
Muito ótimo teu texto, Lih!
Bjão pra ti, fica com Deus!

Anônimo disse...

Filosofia interessante essa. Não vou me ater ao conhecimento instintivo, ou inato, que é uma questão muito complexa. Gostei de verdade da experiência do desaprender. Muitos já o fizeram ao longo da história. Muitos erraram por isso. Mas considero válida a experiência. Mais a de Sócrates, do "só sei que nada sei", do que o "penso, logo existo" de Descartes. Esse último pode ser muito perigoso, ao refutar tudo o que se sabe procurando alicerçar seu conhecimento em uma base sólida e segura. Temos incertezas nessa vida. Somos seres inconstantes. Faz parte de nossa natureza. Da beleza de "ser"! Por certo que preferimos e buscamos certezas, por não nos alegrarmos com o erro. Principalmente com os nossos erros. Mas é preciso manter a consciência clara acima de tudo. Se o exercício do desaprender for compreendido sem revolta interior, certamente contribuirá - e muito - na edificação de um pensamento mais conciso e clarificado a respeito da vida. Não tudo está errado nesse mundo! Um bjo enorme pra ti Lih. Eu amo isso!!! Obrigado e parabéns pelas reflexões! Valeu!

Anônimo disse...

OI, amada. Amei teu texto, de verdade. E penso mesmo que tens razão.É preciso muitas vezes desaprender muitas coisas para poder aprender outras, deixar velhas idéias e preconceitos de lado para podermos nos apropriar de outras coisas. A vida é mesmo muito interessante, quando achamos que sabemos muita coisa, às vezes vêm uma avalanche de coisas diferentes e põe tudo o que achávamos que sabíamos, que era importante de lado, e temos que começar do zero. Digamos que eu esteja passando por uma situação mais ou menos assim. Mas estou adorando aprender. Aprender é sempre bom - mesmo que tenha um pouco de sofrimento às vezes. Mas tudo compensa e muito. Te amo muito, minha florzinha. Muitos beijos.

Anônimo disse...

muito bom o texto. ótimo, melhor.
tá produzindo, hein?
beijo!