segunda-feira, outubro 09, 2006

Boniteza Mortal


Por motivos de alguma relevância, passei a problematizar a morte nos últimos dias. Eis que obtive algumas conclusões!
Aprendi com Rubem Alves que tudo que é belo precisa terminar. Já refletiu sobre isto? Pense: Que amante suportaria um beijo que não terminasse nunca? Profundo...
Aprendi que toda morte é completa em sua finitude. A vida é mortal. A morte não é um acidente. A morte não nega a vida. A morte nos ajuda a viver o presente e nos lembra que temos que ser coerentes com nossos sonhos. Difícil é entender e aceitar isto numa sociedade que cultua a negação da morte, tornando-a apenas sinônimo de tragédia, dor, maldição e sofrimento.
O que nos ameaça e torna a vida incompleta é a violência que nos assombra. É o mal que acontece em circunstâncias avassaladoras. Como aceitar estas agressões à vida? Justo, com certeza, não é morrer por causa da maldade impregnada em certos corações e/ou pela falta de responsabilidade das pessoas que não têm amor nem à sua própria existência.
A violência destrói a vida porque não nos permite relacionar. Ela corta de forma drástica nossas relações com os outros. E o Universo é isso, o conjunto de relações entre os sujeitos (é pertinente lembrar que tudo está relacionado. Para exemplificar brevemente: Ser humano, Terra, Sistema Solar, Via Láctea, etc, etc!) Quando somos privados disto - de nos relacionar - somos violentados, e morremos, pois, de fato, já não existimos.
Foi neste momento que compreendi mais profundamente a dor daqueles que perderam pessoas estimadas por “desastres do destino”, bem entre aspas mesmo. Refleti sobre aqueles que compõem movimentos como o “Vida Urgente”, que na intimidade com a dor provocada pela perda de pessoas queridas, se unem pela construção de mentes mais conscientes e apaixonadas pelo milagre da vida.
A morte é bela e, por isso, chamei a este texto de “Boniteza mortal”. A morte completa a vida, porque nos ensina a viver. Tocante, não acha? Quando temos noção da nossa fragilidade vital, passamos a respeitar a vida como um todo, de fato. E isso é um espetáculo!
Aceitando a morte, nos libertamos para a vida e nos tornamos capazes de vivê-la em sua plenitude, como o bem mais precioso que não pode ser comparado com nada mais neste mundo. Viva a tua vida sabendo que... “Tudo que se completa deseja morrer” e, novamente, “tudo que é belo precisa terminar”. É na aceitação da morte que a vida torna-se uma realidade e não uma mera opção ou algo que um dia vai acontecer. A vida é agora, a morte não se sabe a hora. Por isso, viva! No sentido mais amplo que puder encontrar para ela.

3 comentários:

Anônimo disse...

Lindo!!! A morte é bela! Ora, a vida também o é. Nesse sentido se pode dizer que a morte não nega a vida, pois as duas têm adjetivo em comum: a beleza! Se é da vida que nasce a morte, é também da morte que brota a vida. E bem disseste, Lih... em plenitude, uma complementa a outra. Afinal, vivemos para morrer, e morremos para obter a vida!!! Um grande e inspirado beijo pra ti! Eu amei esse espaço!

Anônimo disse...

Quanta inspiração!
Muito ótimo esse texto, mais uma vez!
Miga, me fizeste reletir muito sobre a morte das almas. Quantos "mortos vivos" circulam entre nós todos os dias, e nem nos damos conta! Pessoas com as quais convivemos diariamente, em casa, no trabalho na escola... Pessoas que acham que vivem, mas estão totalmente mortas, vivem uma vida desorientada, sem sentido algum, buscam forças nas fraquezas humanas, e vivem como se a própria vida não existisse, como se ontem, hoje e amanhã não tivessem ligação nenhuma, pensando que nada há depois de hoje! Isso é triste, pois muitas dessas pessoas estão extremamente ligadas a nós, e acabamos nos sentindo (ou, me sentindo) de mãos atadas, sem saber o que fazer para ajudá-las! É triste pensar em tudo o que essas pessoas podem fazer e, no entando, preferem SOTERRAR os dons que Deus lhes concedera! Para não ter o trabalho de construir a casa dormimos ao relento! É preciso viver - aqui na Terra - arquitetando o que virá depois - no céu, juntar riquezas onde a traça e a ferrugem não as consomem!
Nossa, já me estendi demais! Bjão pra ti, mana, saibas que te admiro muito e não deixes nunca de nos proporcionar esses momentos de reflexão! Fica com Deus!

L.w.A disse...

Paulinho! Vc chegou a exata conclusão que eu esperava com o texto.. têm coisas que não devem ser ditas, afinal..
Obrigada por partilhar comigo! Bjao!


Sandra! Eu fico boba com tuas reflexões! Nem vou mais te rasgar de elogios, hehe... um blog seria uma boa maneira pra vc partilhar conosco este puro coração que vc tem! Bjao